17/01/2014

Tiros no pé

Por muito que tente não compreendo – e ninguém mo consegue explicar – as declarações de JJ e que visam centenas de jovens, benfiquistas dos pés à cabeça, que trabalham diariamente no nosso centro de estágios, no Seixal.

As camadas de formação do Benfica têm, nos últimos anos, fruto de um projecto consistente e duradouro, algo que há muito estava arredado do nosso clube, produzido excelentes futebolistas, capazes de serem integrados gradualmente na equipa principal do Benfica – basta olhar para as classificações dos campeonatos jovens; ou para as recentes convocatórias das selecções jovens para perceber como um paradigma está a mudar.

Há quem defenda JJ por considerar (e bem) que é, de facto, praticamente impossível encontrar na nossa formação ou na equipa “b” substituto à altura de Matic. Essa, porém, não pode ser a razão para o nosso treinador desrespeitar com declarações impensadas jogadores, técnicos e dirigentes que, diariamente, alimentam o sonho de dar ao Benfica mais e melhores jogadores. Ou seja, não pode justificar um acto que prejudica o futuro desportivo do nosso clube.

JJ não é, todavia, na minha opinião, o principal responsável por todo este “caso”, que começa com a saída imprevista de Matic e a falta de coerência, entre actos e discurso, da actual política desportiva encetada por esta direcção do Benfica, que de manhã se afirma pela formação e à tarde contrata nos quatro cantos do mundo.

16/01/2014

Janeiro

O Benfica ganhou (e bem) ao FC Porto. Provando, uma vez mais, ter o melhor plantel e o melhor “onze” em Portugal. Algo que bastaria, muito provavelmente, para nos sagrarmos campeões nacionais no final da época na esmagadora maioria dos campeonatos de futebol, em qualquer parte o planeta. E, por isso, de encher de optimismo e confiança o universo benfiquista à entrada para a segunda metade da prova. Mas, infelizmente, estamos em Portugal e, como todos sabemos, nem sempre – e nos últimos anos quase nunca, aliás – o melhor vence.


Com as saídas de Matic e, pelo que se ouve, de mais alguns, o Benfica fica mais fraco: o seu plantel e o seu “onze”. Ainda assim, é-me difícil admitir que nos seja possível ficar atrás dos nossos principais rivais, sem tanta quantidade ou qualidade de opções do que nós, desde que a época teve início. JJ já provou ser capaz de encontrar soluções (algumas até improváveis, como aconteceu no caso de Enzo Pérez) para colmatar as sucessivas saídas (ou chamemos-lhes de sucessivos e “brilhantes” actos de gestão desportiva de LFV). 

Esperemos que agora, saia quem sair, o nosso treinador seja capaz de reencontrar o equilíbrio e garantir-nos o nível competitivo do passado recente – com uma pequena diferença: agora é obrigatória vencer! 

10/01/2014

Vencer!


Clássico

As horas que antecedem um clássico são, normalmente, de enorme ansiedade. Uma opressão do peito sustentada por questões emotivas, irracionais, consequência, sobretudo, de um histórico já não tão recente. Foi com JJ ao leme que vivi os mais dolorosos duelos contra o FC Porto, em plena Luz – talvez mais dolorosos até que a derrota por 0-5, para a Supertaça.

Nenhum outro treinador do Benfica teve ao seu dispor tantas e tão boas condições para equilibrar as contas e, acima de tudo, superar o nosso adversário. É exactamente dessa realidade que advém um crescente sentimento de desilusão e de desconfiança em vésperas de clássico. Pelo contrário, JJ “conseguiu” como nosso treinador perder um campeonato na Luz (porque na jornada anterior se desvalorizou uma deslocação a Olhão); “conseguiu” perder uma eliminatória nas “meias” da taça, em plena Catedral, após a vantagem de 2-0 na 1.ª mão; “conseguiu” perder um campeonato em casa, depois de ter cinco pontos à maior; e “conseguiu” conquistar em confronto directo apenas um ponto nos dois últimos jogos para o campeonato, desperdiçando, como sabemos, mais um título nacional, mesmo tendo ao seu dispor o melhor plantel e a melhor equipa do país.

Por tudo isto, o plano teórico pouco vale. Na prática, eles têm sido melhores ou, pelo menos, mais competentes. Mas o Benfica é melhor. Joga em casa, perante o seu público. O Benfica joga com Eusébio nas mentes e nos corações. E tenho a certeza que todos nós, benfiquistas, conhecemos a receita para os vencer:


Sem medo! Com humildade e trabalho. E com a esperança que este treinador e estes jogadores percebam, finalmente, e depois desta semana, aquilo que representam.

09/01/2014

Obrigado, Rei

O povo é generoso e, como tal, deu-lhes um dia. E eles, cientes da oportunidade, nas escassas horas que esse dia durou, vieram para as ruas. Misturaram-se com o povo. E por uma vez sem excepção sentiram como nós sentimos; viram como nós vemos. Os rostos iluminaram-se, e os seus olhos brilharam como jamais tinha acontecido – ou como jamais acontecerá. Sentiram o amor e a alegria que está na base da nossa fundação. Trocaram o cinzento frio e vazio dos seus corações, pelo encarnado vivo que nos alimenta a alma e nos comanda a vida.

De cachecóis em punho, de todas as cores, misturaram-se com o povo. E subiram até ele, por uma única vez, agradecendo ao Rei que, por escassas horas, com eles partilhámos. Mas aquelas horas passaram e o dia terminou. Já noite escura, no regresso a casa, de corpo e olhos molhados, com as mentes confusas, compreenderam – tiveram de compreender – aquilo que nós sabemos há muito. À porta das suas casas, ficara um sentimento desconhecido e único, retido por duas realidades: a nossa e a deles. Todos vimos, nesse dia, mais claro que nunca.

O dia seguinte não tardou: os cachecóis retirados; o valor de CR7; a transladação para o Panteão; o clássico de domingo. Tudo lhes importa. É desta a forma – tentem percebe-los –, recorrendo aos seus ódios viscerais, o esverdeado e o azulado, que eles tentam apagar aquele dia, para sempre gravado nas suas memórias. Um dia inolvidável, como só o povo pode protagonizar. E é por isso, por saberem que aquele dia não lhes pertence, por saberem que o que sentiram e viram naquelas escassas horas lhes estará vedado para sempre, que eles não nos perdoam.

Eles agora sabem, tal como nós sempre soubemos, que o amor é mais grande – e que o ódio, por muito que tentem (com receitas mais ou menos disparatadas), nunca o poderá vencer. Eles agora sabem que “Eusébio”, a nossa mais dourada palavra, é incomensuravelmente maior que qualquer realidade enciclopédica da deles. Eles agora sabem que o Benfica é nosso, do povo; que é de Portugal e do Mundo inteiro. Eles agora sabem que, mais cedo ou mais tarde, a nossa realidade terá de engolir a deles.

Como um peixe que moribundo fora de água esbraceja em desespero, desencadearam uma dança de gestos e palavras sem sentido: nas redes sociais, em blogs, nas caixas de comentários de todos os jornais e revistas. Mas isso nada importa, simplesmente, porque nada muda. Nem a nossa realidade e nem a deles. Escrevo este texto numa noite chuvosa – e juntando as minhas às lágrimas do céu grito alto e fundo no meu peito: Obrigado, Rei Eusébio! Cá estaremos, todos juntos, para continuarmos o nosso Benfica.


Viva o Benfica!